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Nov 06, 2026

Varizes: causas, sintomas, tratamento e quando consultar

Varizes visíveis na perna durante uma avaliação clínica

As varizes são veias superficiais dilatadas e tortuosas, quase sempre nas pernas, que surgem quando as válvulas venosas deixam de funcionar bem e o sangue se acumula. Não são apenas uma questão estética. Fazem parte da doença venosa crónica, uma doença que evolui com o tempo e pode causar dor, peso, inchaço e, em fases avançadas, alterações da pele e úlceras. A boa notícia é que hoje existem tratamentos eficazes e pouco invasivos. O passo decisivo é uma avaliação por um especialista em Cirurgia Vascular, que confirma o diagnóstico com ecodoppler e propõe o tratamento adequado a cada caso.

Neste guia explicamos o que são as varizes, porque aparecem, que sintomas justificam uma consulta, como se faz o diagnóstico e o que esperar de cada opção de tratamento, incluindo a cirurgia.

Índice

O que são varizes e onde aparecem

As veias das pernas têm a tarefa de devolver o sangue ao coração, contra a gravidade. Para isso contam com pequenas válvulas que funcionam como portas de sentido único: abrem-se para deixar o sangue subir e fecham-se para impedir que volte para trás. Quando estas válvulas enfraquecem, parte do sangue reflui e acumula-se. A pressão dentro da veia aumenta, a parede dilata e a veia torna-se saliente, nodular e sinuosa.

Na definição clínica, considera-se variz uma veia superficial dilatada, com diâmetro igual ou superior a 3 mm quando a pessoa está de pé, tortuosa e com válvulas incompetentes. É a forma mais frequente da insuficiência venosa superficial dos membros inferiores.

As pernas são a localização mais comum, sobretudo a face interna da coxa, a parte de trás do joelho e a barriga da perna. Também podem surgir no tornozelo e no pé, embora com menor frequência. Existem ainda dilatações venosas noutras zonas do corpo, como as varizes pélvicas ou as hemorroidas, que têm causas e abordagens próprias.

O que são varizes e onde aparecem

Varizes, derrames e telangiectasias: qual a diferença

Muitas pessoas chamam varizes a tudo o que é visível nas pernas, mas há diferenças importantes:

  • Telangiectasias (os chamados derrames): pequenos vasos finos, vermelhos ou arroxeados, com menos de 1 mm, em forma de aranha ou ramificados. São frequentes e, na maior parte dos casos, um problema sobretudo estético.
  • Veias reticulares: veias azuladas, entre 1 e 3 mm, visíveis através da pele, muitas vezes atrás do joelho.
  • Varizes propriamente ditas: veias com 3 mm ou mais, salientes ao toque, frequentemente associadas a sintomas.

Esta distinção corresponde aos primeiros graus da classificação internacional CEAP (clínica, etiológica, anatómica e fisiopatológica), que os especialistas usam para descrever com rigor a doença venosa e decidir o tratamento. Os derrames podem existir isoladamente, mas também podem ser o primeiro sinal de uma insuficiência venosa mais profunda, razão pela qual merecem ser avaliados quando são extensos ou acompanhados de queixas.

Porque aparecem: causas e fatores de risco

A causa direta é a falência das válvulas e o enfraquecimento da parede venosa. O que leva a essa falência resulta, quase sempre, de uma combinação de fatores:

  • Hereditariedade: é o fator de maior peso. Quem tem pai ou mãe com varizes tem uma probabilidade claramente superior de as desenvolver, e o risco aumenta quando ambos são afetados.
  • Idade: as válvulas e a parede das veias perdem elasticidade com os anos, pelo que a frequência das varizes aumenta de forma progressiva a partir dos 40 anos.
  • Sexo feminino: as hormonas femininas tornam a parede venosa mais distensível, o que explica a maior prevalência nas mulheres.
  • Gravidez: o aumento do volume de sangue, as alterações hormonais e a compressão das veias pélvicas pelo útero favorecem o aparecimento ou o agravamento de varizes, que por vezes melhoram depois do parto.
  • Excesso de peso: aumenta a pressão sobre as veias dos membros inferiores.
  • Profissões com muitas horas de pé ou sentado: cabeleireiros, profissionais de saúde, professores, trabalhadores de escritório ou motoristas estão particularmente expostos, porque a bomba muscular da barriga da perna é pouco ativada.
  • Sedentarismo: a falta de marcha reduz o retorno venoso.
  • Antecedentes de trombose venosa profunda: um coágulo numa veia profunda pode lesar as válvulas e originar varizes secundárias.

Em Portugal, a insuficiência venosa crónica é estudada há décadas. Um estudo epidemiológico publicado na Acta Médica Portuguesa em 1995, realizado por 427 médicos de clínica geral em 17 dos 20 distritos e regiões autónomas, confirmou que se trata de uma das doenças vasculares mais frequentes na população portuguesa. As recomendações da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV) descrevem-na como qualquer alteração morfológica e funcional do sistema venoso que se manifesta a longo prazo por sintomas e sinais e que indica a necessidade de investigação e tratamento.

Sintomas e sinais que justificam uma consulta

Nem todas as varizes provocam queixas, mas quando provocam, o padrão é reconhecível. Os sintomas tendem a agravar-se ao fim do dia, depois de longos períodos de pé, com o calor e, nas mulheres, em determinadas fases do ciclo menstrual. Aliviam, geralmente, com o repouso e as pernas elevadas.

Os sintomas mais frequentes são:

  • sensação de peso e cansaço nas pernas;
  • dor, ardor ou sensação de pressão;
  • inchaço dos tornozelos ao fim do dia;
  • cãibras noturnas;
  • comichão sobre o trajeto das veias;
  • pernas inquietas, sobretudo à noite.

Porque fazem comichão as varizes

A comichão resulta da estase de sangue e da inflamação local, que irritam a pele que cobre a veia. Pode ser um sinal precoce de dermatite venosa, uma inflamação da pele que surge quando a pressão venosa se mantém elevada durante muito tempo. Coçar com força lesa uma pele já fragilizada e facilita feridas e infeções. Quando a comichão é persistente, acompanhada de vermelhidão, descamação ou escurecimento da pele junto ao tornozelo, deve marcar uma consulta: estas alterações indicam que a doença está a progredir.

Sinais de alarme que não devem esperar

Algumas situações pedem avaliação médica no próprio dia ou recurso a um serviço de urgência:

  • Uma variz dura, quente, vermelha e dolorosa: pode tratar-se de uma tromboflebite superficial, que exige avaliação para excluir extensão ao sistema venoso profundo.
  • Inchaço súbito de uma só perna, com dor na barriga da perna: pode ser uma trombose venosa profunda. Se surgir falta de ar ou dor no peito, ligue 112.
  • Hemorragia de uma variz: eleve a perna acima do nível do coração, comprima diretamente com um pano limpo e procure ajuda médica.
  • Ferida no tornozelo que não cicatriza: pode ser uma úlcera venosa e deve ser vista por um médico sem demora.

O inchaço das duas pernas nem sempre é venoso. Pode ter origem cardíaca, renal ou ser efeito de alguns medicamentos. Se o inchaço se acompanha de cansaço fácil ou falta de ar, leia o nosso artigo sobre os sinais de insuficiência cardíaca e fale com o seu médico.

O que acontece se as varizes não forem tratadas

A doença venosa crónica é evolutiva. As recomendações da SPACV explicam que se instala um ciclo entre a hipertensão venosa e a inflamação crónica, que vai degradando as paredes e as válvulas das veias. Com o tempo, a inflamação atinge a microcirculação e a rede linfática da pele, o que leva a fases mais graves.

As complicações reconhecidas são:

  • alterações crónicas da pele, como pigmentação acastanhada, eczema e endurecimento do tecido junto ao tornozelo;
  • tromboflebite superficial;
  • úlcera venosa, uma ferida de cicatrização lenta;
  • hemorragia de uma variz, sobretudo quando a pele que a cobre está muito fina.

Nem todas as pessoas com varizes chegam a estas fases, mas avaliar cedo permite travar a progressão e escolher tratamentos menos invasivos.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta de Cirurgia Vascular, com a história clínica e o exame físico, feito de pé, para que as veias fiquem bem visíveis. O médico pergunta pelos sintomas, pelos antecedentes familiares, por gravidezes, tromboses anteriores e medicação habitual, e observa a pele, o inchaço e a distribuição das veias.

O exame de referência é o ecodoppler venoso. É uma ecografia sem radiação e indolor, que mostra a anatomia das veias, mede o seu calibre e identifica em que segmentos existe refluxo ou obstrução. A SPACV considera-o o método de referência para detetar refluxo ou obstrução em qualquer segmento venoso. Este mapa é essencial: duas pessoas com varizes semelhantes à vista podem ter origens diferentes e precisar de tratamentos distintos.

Com estes dados, o especialista classifica a doença segundo a CEAP, que vai de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera ativa), passando pelas telangiectasias (C1), varizes (C2), edema (C3), alterações da pele (C4) e úlcera cicatrizada (C5). Esta classificação orienta a escolha do tratamento e permite acompanhar a evolução ao longo do tempo.

Tratamentos das varizes: da compressão à cirurgia

O tratamento tem duas vertentes que devem ser distinguidas: a clínica, que alivia os sintomas e trava a progressão, e a estética. A escolha depende do grau da doença, das veias afetadas, da idade, das outras doenças e das preferências de cada pessoa.

Opção Em que consiste Quando se usa habitualmente
Medidas gerais Marcha regular, controlo do peso, elevação das pernas, evitar longos períodos imóvel Em todos os graus, como base do tratamento
Compressão elástica Meias de compressão graduada, com a classe e o tamanho indicados pelo médico Em todos os estádios, isoladamente ou após outros tratamentos
Fármacos venoativos Medicamentos que atuam sobre o tónus venoso e a inflamação Para alívio de sintomas como peso, dor e inchaço
Escleroterapia Injeção de uma substância que encerra a veia; pode ser líquida ou em espuma, guiada por ecografia Derrames, veias reticulares e algumas varizes
Ablação térmica endovenosa Laser ou radiofrequência aplicados por dentro da veia, através de uma pequena punção Varizes com refluxo nas veias safenas
Cirurgia convencional Laqueação e remoção da veia doente e flebectomias por pequenas incisões Casos selecionados, conforme a anatomia

As recomendações da SPACV consideram a compressão elástica e os fármacos venoativos terapêuticas fundamentais para todos os doentes, em qualquer estádio, a par das medidas de estilo de vida. A compressão deve ser prescrita e ajustada por um médico: não é adequada para todas as pessoas, por exemplo em quem tem doença arterial das pernas, e uma meia mal escolhida pode causar lesões. Os fármacos venoativos também devem ser tomados por indicação médica, sobretudo por quem já faz outra medicação crónica ou está grávida.

Nos últimos anos, os tratamentos endovenosos passaram a ser discutidos em primeira linha para as varizes com refluxo das veias principais, porque permitem tratar a veia sem grandes incisões e com recuperação rápida. A cirurgia aberta mantém o seu lugar em situações em que a anatomia o justifica.

Como é feita a cirurgia de varizes

Hoje, “cirurgia de varizes” pode significar procedimentos muito diferentes. Em termos gerais, o percurso é este:

  1. Consulta e ecodoppler: o cirurgião vascular identifica as veias com refluxo e define o plano.
  2. Avaliação pré-operatória: revisão da medicação, sobretudo anticoagulantes e antiagregantes, análises quando necessárias e avaliação do risco anestésico.
  3. O procedimento: nos tratamentos endovenosos, a veia é puncionada sob controlo ecográfico e encerrada por dentro com calor (laser ou radiofrequência) ou com espuma esclerosante, habitualmente com anestesia local. Na cirurgia convencional, a veia doente é laqueada e removida e os ramos varicosos são retirados através de pequenas incisões.
  4. Compressão e marcha precoce: na maioria dos casos, a pessoa caminha no próprio dia e usa meia ou ligadura de compressão durante o período indicado.
  5. Controlo: uma consulta de seguimento, muitas vezes com novo ecodoppler, confirma o resultado.

É comum surgirem nódoas negras, alguma sensibilidade sobre o trajeto tratado e ligeiro inchaço nos primeiros dias. Febre, dor intensa, vermelhidão crescente ou inchaço marcado de toda a perna devem ser comunicados de imediato à equipa médica.

Recuperação e regresso à atividade

O regresso ao trabalho e às rotinas depende do procedimento e da profissão, e é o cirurgião quem define os prazos. Caminhar desde cedo é parte do tratamento, porque ativa a bomba muscular e reduz o risco de trombose. Exercícios de maior intensidade, viagens longas e exposição prolongada ao calor costumam ser retomados de forma gradual.

Nas pessoas mais velhas ou com outras doenças, a recuperação beneficia de um plano estruturado. O nosso artigo sobre os erros na recuperação pós-cirúrgica explica os deslizes mais frequentes e como evitá-los, e o guia das fases da reabilitação física mostra como se progride com segurança.

As varizes podem reaparecer anos depois de qualquer tratamento, porque a predisposição venosa se mantém. Por isso, o seguimento periódico e as medidas do dia a dia continuam a ser importantes.

Prevenção e alívio no dia a dia

Não é possível alterar a herança genética nem a idade, mas é possível reduzir a pressão sobre as veias e aliviar os sintomas:

  • Caminhe todos os dias. A contração dos músculos da barriga da perna empurra o sangue para cima. Natação, bicicleta e hidroginástica também são boas opções.
  • Interrompa os períodos longos de pé ou sentado. A cada hora, levante-se, ande alguns minutos ou faça movimentos de pôr-se em bicos de pés e de rodar os tornozelos.
  • Eleve as pernas acima do nível do coração durante 15 a 20 minutos ao fim do dia.
  • Controle o peso com uma alimentação equilibrada, rica em fibra e pobre em sal, o que também previne a obstipação, que aumenta a pressão abdominal.
  • Evite fontes de calor direto nas pernas, como banhos muito quentes, saunas e exposição solar prolongada, que dilatam as veias.
  • Prefira roupa e calçado confortáveis, sem elásticos apertados na coxa ou na barriga da perna.
  • Use compressão elástica se o médico a indicar, sobretudo em viagens longas, na gravidez ou em profissões de risco.

Pode colocar-se gelo nas varizes?

O frio provoca contração dos vasos e pode aliviar de forma temporária a sensação de peso, o ardor e o inchaço. Terminar o banho com água fria, dos pés para as coxas, é uma forma simples de o fazer. Se usar gelo, envolva-o sempre num pano e aplique-o por poucos minutos, nunca diretamente sobre a pele, para evitar queimaduras pelo frio.

O gelo alivia, mas não trata a variz nem impede a progressão da doença. Quem tem diabetes com perda de sensibilidade nos pés, doença arterial das pernas ou má circulação nas extremidades deve falar com o médico antes de aplicar frio. E uma variz quente, dura e dolorosa não deve ser tratada em casa com gelo: precisa de observação médica.

Avaliação e acompanhamento no C3, em Coimbra

No C3 – Centro Clínico de Coimbra, a consulta de Cirurgia Vascular avalia as varizes e a doença venosa crónica, define o diagnóstico e orienta o tratamento mais adequado a cada pessoa. Como privilegiamos a medicina do adulto e damos especial atenção ao envelhecimento e às doenças crónicas, articulamos a avaliação vascular com outras especialidades sempre que o caso o pede.

Essa articulação faz diferença nas varizes. A Medicina Geral e Familiar, com primeira consulta a 50 €, é muitas vezes o primeiro contacto para quem nota inchaço ou peso nas pernas. A Medicina Interna ajuda a enquadrar quem vive com várias doenças crónicas e toma muita medicação, e a Cardiologia esclarece quando o inchaço pode ter origem cardíaca. A consulta de Nutrição, a 60 €, apoia o controlo do peso, um dos fatores que mais pesam sobre as veias. Quando o médico indica reabilitação para recuperar a mobilidade e a marcha, as sessões custam 40 € cada, ou 360 € no pack de 10 sessões.

Pode consultar todos os valores e acordos na nossa página de preços e acordos e marcar a sua consulta presencial no centro.

Avaliação e acompanhamento no C3, em Coimbra

Perguntas frequentes

Quais são as causas dos derrames nas pernas?

Os derrames, ou telangiectasias, têm as mesmas raízes que as varizes: predisposição familiar, alterações hormonais, gravidez, idade e muitas horas de pé ou sentado. A exposição solar e o calor também contribuem. Na maior parte dos casos são um problema estético, mas quando são extensos ou acompanhados de peso e inchaço podem indicar uma insuficiência venosa subjacente, que justifica uma avaliação com ecodoppler.

As varizes são perigosas?

Na maioria das pessoas, as varizes provocam sobretudo desconforto. Como a doença venosa crónica é evolutiva, algumas pessoas desenvolvem com os anos alterações da pele, tromboflebites ou úlceras. Uma avaliação precoce permite acompanhar a evolução e tratar antes de surgirem complicações.

O tratamento das varizes é doloroso?

Os tratamentos endovenosos e a escleroterapia são feitos, habitualmente, com anestesia local e permitem caminhar no próprio dia. É normal sentir alguma sensibilidade e ter nódoas negras nos primeiros dias. O cirurgião vascular explica, em consulta, o que esperar do procedimento indicado para o seu caso.

As varizes voltam depois de tratadas?

As veias tratadas não voltam a abrir na maioria dos casos, mas podem surgir novas varizes noutras veias, porque a predisposição se mantém. A marcha regular, o controlo do peso, a compressão quando indicada e as consultas de seguimento ajudam a manter o resultado ao longo do tempo.

Quando devo marcar consulta de Cirurgia Vascular?

Deve marcar consulta se tem varizes visíveis, sensação de peso, dor ou inchaço nas pernas, comichão persistente ou alterações da cor da pele junto ao tornozelo. Também é aconselhável se tem antecedentes familiares fortes, se está a planear uma gravidez ou se já teve uma trombose. Uma variz dura, quente e dolorosa ou o inchaço súbito de uma perna exigem avaliação no próprio dia.

Este artigo utiliza ferramentas de IA como assistente de escrita, com revisão e edição humana final.